Vena more

 

Vamos lá tentar decifrar essa letra, meu amigo, o que o seu sotaque deixar

Vena Amore

Would you believe?
Last night I dreamed
I danced with [a lady …]
[Outta fade in Viena]

No-one there could doubt
That we belong together
Like I do with you
Like I do with you

But she could never be the dancer you are
Or her english could be as cruel
When she put on her arms to mine
And asked me why
Why
why is true love so hard to find?

I knew a girl
Who thought she was made of [bronze]
It could be seen for miles
When she had nothing on

I have my doubts
That we belong together
Like I do with you
Like I do with you

But she could never be the dancer you are
Or her english could be as cruel
When she put on her arms to mine
And asked me why
Why
why is true love so hard to find?

The judge man in a [Paris]
Came down in the spring
No-one of us doubt here
Those ‘what it means?’

All my inspiration
An every ‘did I do’
All that I want
I do the hold you here on [earth]

I keep my doubts
That we belong together
All to myself
All to myself

But I could never be the dancer you are
Or my english could be as cruel
When I put your onto my arms
And asked me why
Why
why is true love so hard to find?

 

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Basta querer

Sempre escutei coisa do tipo: sorte se constrói. Isto é, o azar está por aí te esperando sentar e dar uma trégua. A hora que tu resolver encostar o carro da produtividade, ele te pega que nem um assaltante violento e te deixa sem nada. A administração “literária” tá cheia dessa louça suja pra ser lavada, escorrida e guardada no armário. Levanta essa bunda cansada e desiludida do sofá e vem/vai trabalhar. Se não fizer por onde ninguém vai fazer por ti. Sorria agora que o chefe passa. Sabe o”mendigo vira doutor em Harvard”?
Pois é. Basta querer.

Eu bato palma pro ex-mendigo hoje Harvard, bato palma pro gari. Bato palma pra mim. Se você me leu até aqui, parabéns para ti também. Tem o aposentado. Sabe que ele tá pressionando a PEA a pagar mais imposto? As pessoas falam pela frente: tá “lúcido” no fim da vida. Mas é só isso porque ele tá pobre que nem tu vai ficar se não fizer o pé de meia. A gente abre a bocão para falar bem dos impostos que paga. Faz um altar para ele e bota umas oferendas bem bonitas.

Porque Pinker e outros foram lidos de cabeça para baixo e tem alimentado a crença de que o hiposuficiente não é problema do rico, muito menos da classe média que constrói sorte, e sim do governo. Mas nem tanto assim porque o meu imposto blá blá blá ZZzzzZZzz. Porque nós somos diferentes e não trate o diferente de forma igual. Não trate melhor porque senão ele fica mal acostumado.

EU SENTEI. Porque cansei. E olha que nem foi tão difícil até aqui. Mão beijada até os 20 anos. De lá para cá foi só trabalho. Mas eu queria o que? Sorte? Ela tava lá em vários momentos. Sabe por que? Porque a natureza da sorte tem muito mais a ver com o acaso. Já nasci pro mundo da pesca com uma vara importada e com uma embarcação boa. E também quando fui trocar o liquidificador arrebentado na loja, ninguém me conhecia e ninguém pediu nota antes de começar a revirar o bagulho para me entregar um novo. Ninguém sacou quem eu era e me trataram bem. E a meus pais e aos pais dos meus pais. Ninguém parou a gente na ronda. Olhos claros que dão carteiradas na alma dos outros.

Não dê o peixe, ensine a pescar. A técnica disponível é descer até o fundo do rio para pegar o danado com a mão TODOS OS DIAS. Eu não. Minha diarista sim. Muita garra a dela.
Tá por dentro das ocupações das escolas públicas? Não? Eles que se resolvam? Pois é lá que se ensina a fazer a vara para muita gente. E não é com um supletivo rápido ou com um ensino fundamental desnutrido que se aprende. Quer simplificar a vida do rico? Não deixe o funcionário ser encargo dele. Quer simplificar mais ainda? Não deixe ser encargo do governo também. Acho que na verdade, para uns – muitos, a sorte não se constrói tão facilmente, porque lá atrás – no começo de tudo, ela se destruiu no segundo da passagem do ventre da mãe pro mundo de cá.

Cool under cabin pressure

“O avião começou a perder a altitude. Os solavancos haviam cessado, mas os passageiros agora sentiam um forte cheiro de combustível. Sullenberger logo percebeu que não conseguiria chegar a LaGuardia. Com crescente preocupação, os controladores instruíram o Airbus a descer no aeroporto de Terterboro, Nova Jersey. Passaram-se alguns instantes. Então veio a resposta de Sullenberger: ‘Não vou conseguir. Estaremos no Hudson’.” Dossiê Superinteressante Julho/2015, Título “Caixa-preta”, Matéria “Milagre no Rio Hudson”.

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Já tinha esquecido disso, mas a super me lembrou. Em 2012, quando descia a escada da galeria subterrânea do Aeroporto de Atlanta, um cartaz me deixou bem impactada. Era o anúncio de um site chamado values.com. O outdoor era esse: a foto de um avião no rio, cheio de pessoas flutuando sobre a asa e o enunciado “Calma sob pressão da Cabine. Preparação – passe adiante”. A mensagem é forte e bem elaborada. A foto vem de um fato reconhecível da história recente da aviação: Em Nova York, janeiro de 2009, o Airbus 320 da US Airways 1549, após múltiplas colisões com pássaros da decolagem, ficou sem motores e sem possibilidade de retornar ao aeroporto de onde decolou. O comandante Sullenberger e o copiloto Skiles executaram um dificílimo pouso forçado no Rio Hudson, sem perda de vidas. Foram tantas decisões acertadas e com preparo necessário, assim como um pouco de sorte também, que determinaram o êxito da tripulação nesse dia. Diante de tantas catástrofes envolvendo a aviação comercial no mundo inteiro nos últimos 20 anos, inclusive o próprio 11/09, ao menos esse pouso, apesar da gravidade da situação, teve um final feliz.

Planeta dos macacos: o confronto

APE

Acabei de assisti o filme “Planeta dos macacos: o confronto”. Fiquei surpresa como, logo no início, a comunidade dos Apes é mostrada à imagem e semelhança de uma comunidade humana com mesmos pressupostos culturais de patriarcado, liderança e família. Quer dizer, o macaco do filme, por ter inteligência parecida à do humano, comporta-se e cria seus valores com a nossa mesma lógica e da mesma forma está suscetível à inveja e ao sentimento de vingança que vai se formando a partir falta do empoderamento político dentro da comunidade. Sendo assim, temos ingredientes suficientes para que a clássica disputa entre o bem e o mal que nos entedia sempre por ser a mais reproduzida pela indústria da ação/aventura em Hollywood tome conta da nossa paciência e a leve embora com meia hora de filme. Incrivelmente o filme conseguiu se sair bem dentro desse molde. Lembrou muito O Rei Leão, que consegue emocionar até o mais bruto dos brutos e carrega um recado importante.

A paz não é um estado de passividade em que se entra através de um simples acordo a resolver todas as questões pendentes no tempo e no espaço. A paz é uma condição super delicada, um desafio diário em que os lados dissonantes precisam trabalhar arduamente seus acordos e cumprir seus papéis de maneira que não seja necessário um perecer para o outro viver. Nesse embalo, a comunidade dos macacos adjacente à dos seres humanos traça uma visão de realidade condensada, reflexo do mundo contemporâneo, em que é necessário quase um milagre para se manter a paz, enquanto que para o caos e a guerra, às vezes, basta o desatino.

Criptografia

Amar você é coisa de minutos…

Amar você é coisa de minutos
A morte é menos que teu beijo
Tão bom ser teu que sou
Eu a teus pés derramado
Pouco resta do que fui
De ti depende ser bom ou ruim
Serei o que achares conveniente
Serei para ti mais que um cão
Uma sombra que te aquece
Um deus que não esquece
Um servo que não diz não
Morto teu pai serei teu irmão
Direi os versos que quiseres
Esquecerei todas as mulheres
Serei tanto e tudo e todos
Vais ter nojo de eu ser isso
E estarei a teu serviço
Enquanto durar meu corpo
Enquanto me correr nas veias
O rio vermelho que se inflama
Ao ver teu rosto feito tocha
Serei teu rei teu pão tua coisa tua rocha
Sim, eu estarei aqui

P. Leminski

 

Minutos teu beijo. A teus pés fui ser bom ou ruim. Serei que te aquece, que não esquece, Um servo serei tanto. Teu corpo enquanto que se inflama, teu rosto feito tocha. Serei tua coisa.

De volta para casa

É meio frustrante seguir um caminho sem a menor chance de dar certo. Pois é. Eu persegui essa chance durante seis anos. Estou numa cidade vazia, sem muitos amigos, sem mãe, sem história, sem tradição, afundada em horários, começos e términos que fazem cada vez menos sentido. Eu não quero fugir. Eu quero me transportar, com toda a minha tralha que acumulei esses seis anos de volta para casa.

A Hora

É engraçado tentar achar sentido na vida. A vida começa e termina por acaso e, pressuposto, podemos morrer a qualquer instante, então é importante reter o momento. Tudo bem, você já ouviu isso um milhão de vezes. Mas você consegue? Você consegue se dispersar? Dispersar-se em emoções com todas as fibras dos seus músculos  e retornar só depois à razão periódica, cotidiana. Somos animais, mamíferos, vertebrados, sonhadores. Eu nunca esqueço de sonhar. Pequenas cápsulas de felicidade se espalham nos cantos das horas quando há representações sinceras do mundo. É aí que tudo é super amplificado para caber nos nossos anseios por emoções. Uma música não é só música. Uma imagem traz a memória que nunca vivi, mas se encaixa perfeitamente no mosaico da história do mundo como a conheci. É o impressionante, singular e catártico valor da trivialidade. Vou pegar meu sorriso e suspender como um troféu. Sim, chegou a hora. 🙂