Dogs are everywhere

Sou um cara ciumento

Sou um cara ciumento. Não tem jeito. Já nasci com o gene do ciúme. Meu pai, minha mãe, o cachorro, tudo ciumento. Aprendi a escrever com seis anos, logo comecei a etiquetar tudo o que era meu. Porra, se é meu, vem outro pivete e bota a mão? Não! Biscoito, chaveiro, bola, cachorro, quarto, mãe. A mãe é minha; por sinal, ciúme latente. Do meu pai o ciúme é potencial – ainda está se desenvolvendo à medida que aquele secretário mané dele parece merecedor em substituí-lo na empresa.

Só que eu cresci. Tenho pêlo na cara. Como homem que sou, abandonei as etiquetas. Eu tenho trancas, são mais seguras. Gosto de trancar tudo. O poder de prender algo com o qual só eu tenho o segredo me ilumina. Porta, portão, grade, arame, chave, cofre. Já estava na hora de comprar os cadeados e …. (raciocício entrecortado por passagem de mulher bonita e perfumada).

- Valquíria!
- Como andas?
- Ah, estou pendurado em duas disciplinas. Você teria tempo livre para me dar uma ajuda?
- Como é que o sujeito mais inteligente dessa universidade fica pendurado em duas disciplinas?
-To meio burro então na matéria de elaborar desculpas esfarrapadas.

Assim começou o meu namoro. Valquíria, caloura, vinte anos, linda. Só em pensar que os outros também suspiravam por essa sequência de características, eu ficava doente. Encontrar com Valquíria introjetava na minha pobre cabeça uma dose dupla de nervosismo. O primeiro era a inegável ansiedade em ver minha namorada, que, vou repetir, era minha mesmo. O segundo era um puta medo de vê-la com outro no lugar. Read the rest of this entry »

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Processos rotineiros

ou O Acidente Nacional

Num dia, espaço de tempo normalmente constituído de vinte e quatro horas em que a Terra leva para girar em torno do próprio eixo, milhões de pessoas, cuja unidade PESSOA é um ser, indivíduo a que se atribuem direitos e obrigações, tomam seus rumos a partir de sistemas de transporte coletivos chamados ônibus. Um ônibus normalmente possui um motorista dotado de capacidade específica atestada em carteira e um cobrador de bilhetes, situados em partes estratégicas do veículo, aguarando os usuários-PESSOA. Que ocuparão assentos e vagas para o transporte em PÉ, apoiados em canos ou esmagados entre os seus iguais. O esquema acima se repete em várias cidades do Brasil, uma república federativa de estupendos 26 estados e um Distrito Federal,  183.987.291 habitantes, área de 8.514.876,599 km², equivalente a 47% do território sul-americano. São 7400km de costa para o Oceano Atlântico e fronteira com quase todos os países da América do Sul, exceto Equador e Chile. 

Diante de toda essa megalia nacional, mais uma vez o ônibus, parte integrante do sistema de transporte coletivo, conduz pessoas (sic) em processos rotineiros como: espera dilatada em muitos minutos, concorrência na entrada, pagamento do bilhete, passagem na catraca – a flor giratória da civilização ocidental depois da metralhadora e do helicóptero – , o arranque inicial, o deus-nos-acuda, o trajeto e a descida. Nem todos saem satisfeitos. Melhor dizer, nem todos saem insatisfeitos.

As empresas de transporte nem precisam gastar um centavo com publicidade Traga você e a sua família. A clientela é garantida. Eu mesma faço parte dessa clientela. E hoje foi dia de atravessar a cidade em que moro abusando dos processos rotineiros. Mal eu sabia, mas algo sairia do programado.

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Let the cool Goddes rust away

Até hoje eu me culpo por não ter lido aquele livro de nome interessante que emprestei da biblioteca do Centur “Anarquistas, Graças a Deus”. O arrependimento de não tê-lo lido naquela época não é porque eu escutei falar bem, mas para saber exatamente o que acontece na literatura brasileira com a morte da escritora Zélia Gattai hoje, dia 17/05/2008. Alguma coisa séria deve perder. Perde uma escritora mulher. Uma escritora mulher que participava da ABL. Uma escritora mulher que paraticipava da ABL, cadeira 23, e cuja vida esteve ligada à política brasileira. Por aí vai. É o que acontece na literatura brasileira.

Na verdade, esse post parece não fazer o menor sentido já que não demonstrei nenhum sentimento pelo falecimento dela até agora. Mas eu fiquei comovida, sim, e como! Porque vi as fotos dela no portal G1. Um sorriso tão afetuoso que logo percebi que o Brasil perdeu uma das suas mães, avós e mulheres que batalharam a vida inteira para manter uma família coesa, como a família Amado. Zélia é duma época na qual a mulher resistia a tudo o que fosse preciso para ser o elo fundamental entre indivíduos que se amam, mas que, por problemas cotidianos, podem perder a capacidade de se manterem juntos. Dessa Zélia eu sentirei muita falta. Talvez ela tenha escrito algo sobre como ela foi tudo isso durante a vida, mas eu nunca li. Quem sabe um dia eu aprendo.

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Cartão de Visita

Se um dia você me encontrar olhando para você assimMichael Douglas, em

… ou assim…

Mãe de Carrie, a Estranha.

não estranhe.

É o mal do século XXI.

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Borboletas e Marimbondos

As borboletas são alegres, coloridas e no mais das vezes simbolizam leveza, encanto e liberdade. Certa vez, um bando delas, acuado pelo medo da precipitação, passa a procurar abrigo. Cada uma a seu modo.

A primeira encontrou um sapo que lhe ofereceu abrigo dentro da bocarra. Esta aceitou. Logo depois morreu.

A segunda encontrou um pássaro que lhe ofereceu aconchego dentro do bico. Esta hesitou, mas aceitou. Logo depois também morreu.

A terceira, desconhecedora da sorte de suas irmãs, encontrou uma bananeira. Um marimbondo lhe ofereceu casório. Esta aceitou. E logo depois quis morrer.

A quarta arrumou um emprego dentro dum formigueiro. Ai, me dá fadiga terminar este parágrafo.

As borboletas são alegres, coloridas e no mais das vezes simbolizam leveza, encanto e liberdade. Certa vez, um bando delas, acuado pelo medo da precipitação, passou a procurar abrigo. Quando o sol reapareceu no quintal, nenhuma voltou ao jardim. E você, já se perguntou onde as borboletas do seu quintal se protegem da chuva?

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Inside, out side, inside out.

Hoje fui buscar almoço em um restaurante a duas quadras da minha casa, sob um sol de 58º. Era apenas 11 horas de uma manhã que prefiro não qualificar. Rumei para o palácio das quentinhas, mochila nas costas com conteúdo do trabalho, uns papeis, alguns até inéditos na minha memória. Foi quanto, ao avançar metade do caminho, senti um inexplicável aperto no coração. O sol ficou insuportável e eu tive a necessidade urgente de me esconder. Não pude recuar por causa do horário. Comecei com corridinhas, logo após, cansada,  entrei em uma loja de conveniências. Circulei um pouco, olhei uns preços e esqueci a onda toda. Voltei à rua e o sol estava muito pior. Continuei o caminho até chegar ao restaurante. Fiz o que tinha que fazer, paguei a conta e saí para esperar a condução que me levou ao trabalho.

Ás 15 e 30 da tarde eu olhava o relógio passar, já dentro do conforto do ar-condicionado e das cadeiras da torre.  Foi quando, ao avançar meio expediente, senti um explicável aperto no coração. O conforto ficou insuportável e tive a necessidade urgente de ir pegar um sol.

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