Sou um cara ciumento. Não tem jeito. Já nasci com o gene do ciúme. Meu pai, minha mãe, o cachorro, tudo ciumento. Aprendi a escrever com seis anos, logo comecei a etiquetar tudo o que era meu. Porra, se é meu, vem outro pivete e bota a mão? Não! Biscoito, chaveiro, bola, cachorro, quarto, mãe. A mãe é minha; por sinal, ciúme latente. Do meu pai o ciúme é potencial – ainda está se desenvolvendo à medida que aquele secretário mané dele parece merecedor em substituí-lo na empresa.
Só que eu cresci. Tenho pêlo na cara. Como homem que sou, abandonei as etiquetas. Eu tenho trancas, são mais seguras. Gosto de trancar tudo. O poder de prender algo com o qual só eu tenho o segredo me ilumina. Porta, portão, grade, arame, chave, cofre. Já estava na hora de comprar os cadeados e …. (raciocício entrecortado por passagem de mulher bonita e perfumada).
- Valquíria!
- Como andas?
- Ah, estou pendurado em duas disciplinas. Você teria tempo livre para me dar uma ajuda?
- Como é que o sujeito mais inteligente dessa universidade fica pendurado em duas disciplinas?
-To meio burro então na matéria de elaborar desculpas esfarrapadas.
Assim começou o meu namoro. Valquíria, caloura, vinte anos, linda. Só em pensar que os outros também suspiravam por essa sequência de características, eu ficava doente. Encontrar com Valquíria introjetava na minha pobre cabeça uma dose dupla de nervosismo. O primeiro era a inegável ansiedade em ver minha namorada, que, vou repetir, era minha mesmo. O segundo era um puta medo de vê-la com outro no lugar. Read the rest of this entry »
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