Dogs are everywhere

Sucesso 2

Qual é o maior problema em cometer erros, falhar, fracassar, ir mal, muito mal? Se ninguém visse o erro, ele poderia ter um efeito colateral muito menor, muito menos arrasador.  Mas não. O fracasso existe porque existe sucesso. Um depende do outro para existir, malignamente ou benignamente. Do mesmo jeito, ter sucesso sem platéia não pode ser considerado um sucesso social, talvez apenas pessoal, não é? Read the rest of this entry »

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Aniversário de um texto polêmico

Tá na hora de apagar as velinhas: 2 anos de 15 de Agosto – Adesão do Pará à Independência do Brasil.

Quando resolvi escrever sobre a Adesão do Pará à Independência do Brasil, sabia que existiam poucos textos disponíveis que esclarececem o tema na internet. O que eu não sabia é que o meu texto viraria um hit infanto juvenil. Hoje milhares (milhares mesmo!) desses chegaram ao meu site atrás de informações, creio para trabalhos escolares. Ao chegar se deparam com uma história (meio calhorda?) contada por uma pessoa que sequer merece o crédito de uma historiadora formada. Já ouvi de tudo por causa do texto. Só ainda não foram me procurar em casa para me dar umas bofetadas. Dizem que sou preconceituosa. Dizem que sou ignorante. Adoro. Juro que se tivesse mais tempo escreveria textos cada vez mais absurdos sobre a historia do Brasil (estou bolando um agora sobre o Estado Novo, estrelando Getúlio: o cachorro do vizinho, na Presidente Vargas: a avenida principal de Belém).

Também possuo outros produtos no mesmo segmento, confira:

D. Fuas Roupinho (o Fuinha), o veado nervoso e a origem lendária do Círio de Nazaré*

A idéia de se fazerem procissões até locais onde acreditam ter havido milagres é parte do erário medievo-cultural português que atravessou o Atlântico e veio ser enterrado, na base do porrete (50%) e da conversa mole (50%), aqui na América. Sendo assim, tive a pífia idéia de aprontar uma estorinha na qual, não sei bem o fundo de verdade histórica, está presente o suposto patrono da procissão à Virgem de Nazaré lá no reino de Algarves.

10 Motivos Para Ser um Historiador*

Dez Motivos bem alegres para você se tornar um super Historiador. Já me disseram que ainda bem que são só dez. 

Um livro-reportagem: 1808, de Laurentino Gomes

Esse ano, 2008, faz uns 200 anos que:

1 – Bacalhau se faz no Brasil. Pra rei.

2 – Vinho do Porto no Brasil. Pra rei. 

3 – Livros, muitos livros! Pra rei.

Tudo sabe por quê? Ah, eu não vou te falar assim de graça, não! Lê 1808 de Laurentino Gomes, depois volta aqui pra ver a crítica (comprida e séria) que eu fiz do livro.

 

 

 

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Um livro-reportagem: 1808, de Laurentino Gomes.

GOMES, Laurentino. 1808: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007.

Resenha (de 19/05/2008) :

Com excelente encadernação e estrutura, 1808 lembra os clássicos de Historiografia de capítulos segmentados com notas e referências a serem consultadas no final. Há também a reprodução de imagens do Rio de Janeiro, de escravos e dos costumes presentes n’algumas das preciosas pranchas do artista da época, Jean Baptiste Debret. Já o subtítulo “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil” é a primeira característica marcante de um livro sobre História produzido por um não-historiador. Laurentino Gomes é jornalista, comunicador, ligado à revista Veja e à Ed. Abril, e embora esse livro seja uma aventura fora do seu eixo de trabalho, é inevitável ver, logo na capa, o anúncio de um comunicador interessado em vender sua idéia e empurrar o seu produto. Remonta a idéia das frases de efeito nos encartes dos filmes, feitas especialmente para atrair a atenção do público-consumidor.

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D. Fuas Roupinho (o Fuinha), o veado nervoso e a origem lendária do Círio de Nazaré*

A idéia de se fazerem procissões até locais onde acreditam ter havido milagres é parte do erário medievo-cultural português que atravessou o Atlântico e veio ser enterrado, na base do porrete (50%) e da conversa mole (50%), aqui na América. Sendo assim, tive a pífia idéia de aprontar uma estorinha na qual, não sei bem o fundo de verdade histórica, está presente o suposto patrono da procissão à Virgem de Nazaré lá no reino de Algarves. Read the rest of this entry »

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15 de Agosto – Adesão do Pará à Independência do Brasil

Aviso aos navegantes (que sei que vieram parar aqui por obra do Sr. Gooooooogle),

Isso não é um artigo histórico, nem merece tal interpretação. Cética quanto à verdade histórica em qualquer evento importante, eu, ainda em vias de terminar o curso de História, criei uma ficção em cima do feriado de 15  de agosto. O post figura entre um dos primeiros links do google já que tão pouca gente se dá o trabalho de escrever sobre esse tema. Se vocês relaxarem vão perceber que a finalidade maior do texto é o humor. Se vocês relaxarem mais ainda talvez consigam se divertir um pouco. O texto foi escrito há um tempo por mim, paraense (de Belém), e nem sinto vontade de retocá-lo. Já fui xingada de um monte de coisas (hehe) e continuo me divertindo toda vez que releio o texto e os comentários. Advirto: o mesmo cuidado que terão ao ler meu texto – essa peça bufônica, como queiram – tenham cuidado com a wikipédia ou qualquer livro didático. Recado dado.

Para quem mora no estado do Pará, não foi trabalhar hoje e nem sabe o porquê eis a explicação. Hoje é dia da Adesão do Pará à Independência do Brasil, o feriado de nome mais extenso pelas bandas do norte, só perdendo atualmente para a Adesão do Amazonas à Independência do Brasil e a Gravação do Novo DVD da Banda Calypso No Palco da Arena Yamada Não Perca.

É feriado para que a gente paraense possa refletir sobre a importância dessa efeméride no calendário regional. Em 15 de Agosto de 1823, alguns muitos cidadãos paraenses possuídos pelo calor demoníaco dessa cidade (que ainda não era das mangueiras assassinas), realizaram uma marcha a favor de uma urgente instalação de uma ventilação atlântica. As autoridades imprimiram rapidamente um edital de licitação e distribuíram entre seus parentes. Logo apareceram centenas de propostas completamente viáveis para a execução do projeto. Só não contavam com a falta de parcimônia dos cidadãos paraenses, que adeptos da moda francesa, só sabiam suar dentro das suas ceroulas e calçolas. Os mais prejudicados pela quentura causticante desses tristes trópicos, os militares fardados, resolveram ir à luta. Sem solução pacífica, o imperador D.Pedro I enviou a Belém o comandante inglês John Grenfell – que não quis dar entrevista – dono na época do maior conglomerado refrigerador dos cinco continentes e sete mares, para impor o modelo de ventilação imperial no Palácio do Governo. Ao chegar à Baía do Guajará em 11 de agosto de 1823, o comandante inglês arquitetou um plano para derrubar os portugueses, os piores empresários do ramo, porém revestidos de todos os direitos atribuídos pela Lei de Licitações. Comunicou, então, que trazia uma poderosa esquadra capaz de bombardear e destruir boa parte da capital paraense. Sr. Grenfell não contava com a adesão unânime dos cidadãos paraenses em bombardear não só Belém como a província inteira. O propósito inicial dos representantes da Câmara era acabar com o terrorismo, muito em voga na Belém da primeira metade do século XIX, e depois cavar uma enorme cratera do tamanho do Maranhão para construir um mega centro de convenções. Sendo assim, o Comandante Inglês não quis executar o plano anunciado, o qual era apenas um blefe, e para não perder viagem resolveu apenas testar seu novo sistema de refrigeração naval convidando com muito zelo aqueles militares fardados para o porão de seu brigue. Os jovens soldados estavam animados imaginando que partiam para um Cruzeiro nas Ilhas Gregas, presente concedido pela honrosa iniciativa de se atirarem nas ruas com gritos de revolução socialista contra a burguesia capitalista e o arrocho salarial. Quando perceberam as intenções do comandante Grenfell, começaram a gritar os mais notórios versos da canção Pecados de Adão A sobrevivência marcando presença/ Na ausência desta solidão/Você calada no meio da multidãaao… Ai ieiê Oioiô Ai ieieieêe oi ei oi ioioioooooô”. Eram os gritos de agonia de duzentos e cinqüenta e seis jovens militares que participaram acidentalmente da primeira sauna coletiva paraense, visto que os marinheiros ingleses confundiram-se ao ler em português as embalagens de cal virgem e água fresca e despejaram a primeira para a total infelicidade e má degustação do contingente ali presente. Quem saiu vivo de lá ganhou a matéria de capa da Troppo da semana seguinte, que tratou, entre outras coisas, da importância dos radicais livres no organismo e da nova dieta do líquido verde. Read the rest of this entry »

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Curtas – Volta às aulas

Dogs are everywhere: depende. 

 O rodo compressor passou por cima, mas a vida deu uma revira volta. Já não vejo tanta maldade no que vejo e não sinto tanta maldade no que sinto [Issaqui ficou muito poético]. Prova disso foram as almas caridosas que me alertaram do ridículo que eu estava passando hoje na aula de… era de História, com certeza.            

Um dedo no meu braço.

-          Acorda, Natalia.

-          Por que?

Um certo embaraço.

-          O professor está olhando?

-          Sim…  

Papo de Academia

 O Tempo Saquarema é o livro mais legal-chato de todo o curso. Isso dizem os alunos. Como assim? É que é o livro que todos queriam ter lido, mas terem entendido.  

Solenidades

 Ontem faltou luz no campus da ufpa.    

News

 O Prof. Gaia disse que se A então B, se B então C, A então C.  Eu não iria passar se não entregasse o trabalho no prazo determinado. E que se ninguém entregar, ninguém vai passar. Ninguém vai passar. A novidade é que a gente vai poder fazer a matéria nas férias com o Gaia de novo.  

A comissão de formatura foi cancelada. Agora sim vamos nos formar com dignidade. Xô burguesia festeira!

 O Alves ainda está corrigindo as provas de Agrária, sendo que só fizemos seminários e resumos. 

Cadê o Décio? Já está na França? (I’m evil)

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Black Tia

Século XIX. Dalton Mello ensina um escravo quilombola a usar uma arma. Dalton é branco. O escravo, negro. Tá, mas… Sim, é possível. Já lá pela metade do império, metade do século dezenove, muita gente estava de saco cheio da escravidão. Até o Sinhozinho Malta. O próprio Coronel Leôncio, “vilão até a medula”, estava se desfazendo de seus pretinhos. Era moda? Epidemia? Não. A conjuntura estava demasiado desfavorável ao ‘pau, pão e pano’. Os traficantes de negros salgavam o preço dos seus “produtos” à medida que o café ia valorizando. A Inglaterra vivia metendo o bedelho exigindo o fim do regime escravista, dizem por motivos financeiros, mas acredito mais na sede de poder sobre várias regiões do globo.

O corpo burocrático, veja bem, muitos deles fazendeiros ou filhos de, começou a adquirir ares abolicionistas. Alguém lembra do Castro Alves? Pois é, fez fama com isso. A atmosfera de libertação gerou dissidências também. Higino Ventura nunca escondeu sua inveja do Barão Henrique Sobral, muito “relaxado” com relação a seus escravos. Segundo Higino, ninguém apanhava, ninguém gemia. Todo mundo adorava o Barão. Até a prostituta que casou com ele mas-gostava-do-filho tinha toda a consideração do mundo. Ainda assim não posso confirmar a felicidade de Sobral. Faltava-lhe alguma coisa. Não sei bem se um chicotinho para arrepiar nos seus. O tronco pode ter sido, durante um tempo, uma válvula de escape, uma terapia para feitores e barões, sequiosos de mostrar poder com violência, risadas e tudo o mais. Aqueles abolicionistas não sabiam da poesia que era dar umas porradas em neguinho frouxo.

No fim, podia bater, mas não podia esfolar. Essa era a lei. Acabou-se o que era doce. Não sei direito quem proporcionou esse demérito. A depressão que era ver aqueles escravos posando de flozô, brincando capoeira, adorando um bando de entidade impronunciável, sem poder levar uma pancadinha, começou a levar todos a repensarem o sentido da vida. Quando a princesa Isabel fez a gentileza de agitar o punho e borrar um papel com a assinatura dela chamaram aquilo de Lei Áurea. Áurea quer dizer magnífico, ditoso, esplendoroso. Só que é mais um erro crasso na História do Brasil. Todos estavam mais é pensando e falando em “auria” que quer dizer fugir alucinadamente. Mas a abolição se processou em slow motion, e acreditam que ela nem tenha terminado de estender seus efeitos. Como diria a persistente Tia Nastácia, às 9 da manhã de um dia qualquer no século XXI: “Ainda levo Rabicó pro forno”.

Nas comemorações do dia 13 de maio, Xica da Silva dá declarações escandalosas em entrevista coletiva.

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