Novembro 1, 2009 • 12:47 am
Você pode assistir a Rambo III várias vezes, mas nenhuma será igual.
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Você encontrou um filme melhor que o livro que o inspirou? Não se espante. Compare o tamanho do investimento.
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Uma modelo ou coisa assim vira atriz. Ela passa um tempo tentando emplacar algo que a dê respeito. Depois que ela consegue provar que consegue atuar, o que mais ela pode fazer? a) engordar 7 kilos para dar sorte. b) fazer par romântico com o Tom Hanks. c) produzir o próprio filme e exagerar na interpretação, quase colocando tudo a perder. d) todas as alternativas anteriores.
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Nós, eu e você, iremos assistir o filme do Michael Jackson por quê? 1) O intuito era assistir Lua Nova, mas achamos que o protagonista de This is it estava pálido o suficiente para convencer como vampiro. 2) No cinema da sua cidade – não brinque com isso, muitas cidades tem apenas uma sala – só tinha vaga para um cartaz contendo gente fardada, então Che ficou de fora. 3) Rolou uma saudade do ídolo da minha tia de segundo grau. 4) Nós quisemos.
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A falta de talento para criar não elimina, de jeito nenhum, o talento para imitar. Graças a isso existe a palavra indústria antes de cinematográfica.
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Há certos batizados especias: "Cadê aquele menino alguma coisa Depp, porra?"
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Qual é o maior problema em cometer erros, falhar, fracassar, ir mal, muito mal? Se ninguém visse o erro, ele poderia ter um efeito colateral muito menor, muito menos arrasador. Mas não. O fracasso existe porque existe sucesso. Um depende do outro para existir, malignamente ou benignamente. Do mesmo jeito, ter sucesso sem platéia não pode ser considerado um sucesso social, talvez apenas pessoal, não é? Read the rest of this entry »
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Janeiro 7, 2009 • 4:25 am
Existem talentos que eu chamaria de construtivos, os indivíduos os usam a seu proprio favor ou a favor da humanidade por assim dizer. São os que, combinados à sorte, geram frutos bacanas, artísticos, eternos. No entanto, o que me interessa do contrutivo, no momento, é chamar a atenção para o seu irmão obscuro, o outro, que eu denominaria de talento destrutivo.
Assim como o contrutivo, o talento destrutivo precisa da oportunidade para ser desperto. Enquanto inoculado não oferece perigo nenhum. Mas quando o gênio ruim explode, às vezes, não faz muita diferença a categoria educacional ou o código ético a que foi submetido. Acredito existirem personas com habilidades impressionantes para desordens, intrigas, mentiras e crimes frios. Vai ver os criminosos mais brilhantes da história devem ter partilhado maestria semelhante. Veja. O cálculo da destruição é exigente: há manipulação, mentira, ações rápidas e atitudes pensadas. Armadilhas planejadas com antecedência, mas também improvisadas com igual sagacidade. Não estou vendo novelas demais ou fazendo apologia ao crime. É tão doloroso para eu me dar conta de que tem gente ruim de verdade, porque eu sempre fui e continuo sendo partidária da busca pela pureza de caráter, da diferença, que conviver em harmonia com a opinião alheia pode ainda quem sabe salvar o amanhã, da alteridade – meu respeito à antropologia vai longe – mas enfim. (odeio terminar frases com “mas enfim”, significa que fui vencida ou arrematada pela vertente pessimista)
Voltando à mente criminosa, enquanto os indivíduos bons – ou criminosos sem talento – , passam a vida enfrentando as diversas chances de corrupção de forma torturante e se livrando de algumas delas com a conduta invicta, ou enterrado em crises crônicas de consciência, o ardiloso já superou a questão ética. Ele está mais preocupado em agarrar as chances de fazer o errado bem feito. Então, para viver bem o ideal é afastar os bandidos e viver bem com os amigos? A pureza de caráter pode estar entre o rol mais interessante de tudo o que é apenas teoria, uma pena. Por enquanto é mais fácil entender que todos terão uma árvore no meio do éden pessoal pra resolver o que fazer da maçã. Há quem vá comer a maçã, passar uma rasteira na serpente e enganar o Criador.

"Quero todos cantando Beijinho doce! Abrindo a bo-qui-nha! Ou eu atiro na Natalia!"
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Setembro 2, 2008 • 1:20 pm
“Ba-ra-que-o-ba-ma. (Pausa) Tenho um crush nele.” – M. C. F. ,15 anos aproximadamente, cabelos loiros aproximadamente, paulista aproximadamente.
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Agosto 13, 2008 • 11:52 pm
Tá na hora de apagar as velinhas: 2 anos de 15 de Agosto – Adesão do Pará à Independência do Brasil.
Quando resolvi escrever sobre a Adesão do Pará à Independência do Brasil, sabia que existiam poucos textos disponíveis que esclarececem o tema na internet. O que eu não sabia é que o meu texto viraria um hit infanto juvenil. Hoje milhares (milhares mesmo!) desses chegaram ao meu site atrás de informações, creio para trabalhos escolares. Ao chegar se deparam com uma história (meio calhorda?) contada por uma pessoa que sequer merece o crédito de uma historiadora formada. Já ouvi de tudo por causa do texto. Só ainda não foram me procurar em casa para me dar umas bofetadas. Dizem que sou preconceituosa. Dizem que sou ignorante. Adoro. Juro que se tivesse mais tempo escreveria textos cada vez mais absurdos sobre a historia do Brasil (estou bolando um agora sobre o Estado Novo, estrelando Getúlio: o cachorro do vizinho, na Presidente Vargas: a avenida principal de Belém).
Também possuo outros produtos no mesmo segmento, confira:
D. Fuas Roupinho (o Fuinha), o veado nervoso e a origem lendária do Círio de Nazaré*
A idéia de se fazerem procissões até locais onde acreditam ter havido milagres é parte do erário medievo-cultural português que atravessou o Atlântico e veio ser enterrado, na base do porrete (50%) e da conversa mole (50%), aqui na América. Sendo assim, tive a pífia idéia de aprontar uma estorinha na qual, não sei bem o fundo de verdade histórica, está presente o suposto patrono da procissão à Virgem de Nazaré lá no reino de Algarves.
10 Motivos Para Ser um Historiador*
Dez Motivos bem alegres para você se tornar um super Historiador. Já me disseram que ainda bem que são só dez.
Um livro-reportagem: 1808, de Laurentino Gomes
Esse ano, 2008, faz uns 200 anos que:
1 – Bacalhau se faz no Brasil. Pra rei.
2 – Vinho do Porto no Brasil. Pra rei.
3 – Livros, muitos livros! Pra rei.
Tudo sabe por quê? Ah, eu não vou te falar assim de graça, não! Lê 1808 de Laurentino Gomes, depois volta aqui pra ver a crítica (comprida e séria) que eu fiz do livro.
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Baseada em uma noite mal-dormida em que… bem, deixa pra lá, fiz brotarem duas comunidades-irmãs no Orkut destinadas a finalidade nenhuma, mas que serviriam para compartilhar experiências parecidas com a minha. Vamos lá.
Esqueci a Herança no Ônibus

“Pra você que acha que esse tipo de coisa só podia ter acontecido com você.
Conte como você esqueceu sua herança no ônibus.”
Esqueci a Herança no Elevador

“Porque depois de tê-la recuperado no ônibus, você tinha que esquecê-la em outro lugar.”
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ou O Acidente Nacional
Num dia, espaço de tempo normalmente constituído de vinte e quatro horas em que a Terra leva para girar em torno do próprio eixo, milhões de pessoas, cuja unidade PESSOA é um ser, indivíduo a que se atribuem direitos e obrigações, tomam seus rumos a partir de sistemas de transporte coletivos chamados ônibus. Um ônibus normalmente possui um motorista dotado de capacidade específica atestada em carteira e um cobrador de bilhetes, situados em partes estratégicas do veículo, aguarando os usuários-PESSOA. Que ocuparão assentos e vagas para o transporte em PÉ, apoiados em canos ou esmagados entre os seus iguais. O esquema acima se repete em várias cidades do Brasil, uma república federativa de estupendos 26 estados e um Distrito Federal, 183.987.291 habitantes, área de 8.514.876,599 km², equivalente a 47% do território sul-americano. São 7400km de costa para o Oceano Atlântico e fronteira com quase todos os países da América do Sul, exceto Equador e Chile.
Diante de toda essa megalia nacional, mais uma vez o ônibus, parte integrante do sistema de transporte coletivo, conduz pessoas (sic) em processos rotineiros como: espera dilatada em muitos minutos, concorrência na entrada, pagamento do bilhete, passagem na catraca – a flor giratória da civilização ocidental depois da metralhadora e do helicóptero – , o arranque inicial, o deus-nos-acuda, o trajeto e a descida. Nem todos saem satisfeitos. Melhor dizer, nem todos saem insatisfeitos.
As empresas de transporte nem precisam gastar um centavo com publicidade Traga você e a sua família. A clientela é garantida. Eu mesma faço parte dessa clientela. E hoje foi dia de atravessar a cidade em que moro abusando dos processos rotineiros. Mal eu sabia, mas algo sairia do programado.
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Vai lá no Salvatti, que ele acabou de postar dois contos ao estilo “para bom entendedor meia palavra é suficiente” saídos do forno.
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GOMES, Laurentino. 1808: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil. São Paulo: Ed. Planeta do Brasil, 2007.
Resenha (de 19/05/2008) :
Com excelente encadernação e estrutura, 1808 lembra os clássicos de Historiografia de capítulos segmentados com notas e referências a serem consultadas no final. Há também a reprodução de imagens do Rio de Janeiro, de escravos e dos costumes presentes n’algumas das preciosas pranchas do artista da época, Jean Baptiste Debret. Já o subtítulo “Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil” é a primeira característica marcante de um livro sobre História produzido por um não-historiador. Laurentino Gomes é jornalista, comunicador, ligado à revista Veja e à Ed. Abril, e embora esse livro seja uma aventura fora do seu eixo de trabalho, é inevitável ver, logo na capa, o anúncio de um comunicador interessado em vender sua idéia e empurrar o seu produto. Remonta a idéia das frases de efeito nos encartes dos filmes, feitas especialmente para atrair a atenção do público-consumidor.
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Até hoje eu me culpo por não ter lido aquele livro de nome interessante que emprestei da biblioteca do Centur “Anarquistas, Graças a Deus”. O arrependimento de não tê-lo lido naquela época não é porque eu escutei falar bem, mas para saber exatamente o que acontece na literatura brasileira com a morte da escritora Zélia Gattai hoje, dia 17/05/2008. Alguma coisa séria deve perder. Perde uma escritora mulher. Uma escritora mulher que participava da ABL. Uma escritora mulher que paraticipava da ABL, cadeira 23, e cuja vida esteve ligada à política brasileira. Por aí vai. É o que acontece na literatura brasileira.
Na verdade, esse post parece não fazer o menor sentido já que não demonstrei nenhum sentimento pelo falecimento dela até agora. Mas eu fiquei comovida, sim, e como! Porque vi as fotos dela no portal G1. Um sorriso tão afetuoso que logo percebi que o Brasil perdeu uma das suas mães, avós e mulheres que batalharam a vida inteira para manter uma família coesa, como a família Amado. Zélia é duma época na qual a mulher resistia a tudo o que fosse preciso para ser o elo fundamental entre indivíduos que se amam, mas que, por problemas cotidianos, podem perder a capacidade de se manterem juntos. Dessa Zélia eu sentirei muita falta. Talvez ela tenha escrito algo sobre como ela foi tudo isso durante a vida, mas eu nunca li. Quem sabe um dia eu aprendo.
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