Dogs are everywhere

Inside, out side, inside out.

Hoje fui buscar almoço em um restaurante a duas quadras da minha casa, sob um sol de 58º. Era apenas 11 horas de uma manhã que prefiro não qualificar. Rumei para o palácio das quentinhas, mochila nas costas com conteúdo do trabalho, uns papeis, alguns até inéditos na minha memória. Foi quanto, ao avançar metade do caminho, senti um inexplicável aperto no coração. O sol ficou insuportável e eu tive a necessidade urgente de me esconder. Não pude recuar por causa do horário. Comecei com corridinhas, logo após, cansada,  entrei em uma loja de conveniências. Circulei um pouco, olhei uns preços e esqueci a onda toda. Voltei à rua e o sol estava muito pior. Continuei o caminho até chegar ao restaurante. Fiz o que tinha que fazer, paguei a conta e saí para esperar a condução que me levou ao trabalho.

Ás 15 e 30 da tarde eu olhava o relógio passar, já dentro do conforto do ar-condicionado e das cadeiras da torre.  Foi quando, ao avançar meio expediente, senti um explicável aperto no coração. O conforto ficou insuportável e tive a necessidade urgente de ir pegar um sol.

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Irmãos de sangue

A psicologia entre irmãos devia ser algo ameno, sintonizado. Que nem em novela – quando um se machuca, o outro sente um mal estar. Aí eles se ligam e perguntam:

- Mano, está tudo bem?
- Não, eu tropecei na calçada e caí em cima dos lixos, há cachorros se aproximando.
- Estou aí em 10 minutos. Não se preocupe.

Em vez disso:

- Eu seria mil vezes mais útil se eu caísse de bunda na sua cabeça e nós morrêssemos, sua escrota!
- Você nasceu da mesma barriga que eu, han? Acho impressionante o quanto a variabilidade genética entrega produtos de qualidade tão diferente.
- Vai encarar, vai encarar?
- E não é o que eu já estou fazendo?
- Não. Você está andando para trás.
- Estou tomando distância para pular em você, sua maníaca.

Francamente, em 21 anos não vi etiqueta que comporte a relação entre irmãos (e irmãs). È altamente instável. Tem horas que dá vontade de assar no forno. Outras não, dá vontade de pendurar o fedelho pelo suspensório no varal. Dá até para ser compreensivo e tolerante, mas é tudo muito transitório. Irmão é o parente que tu não escolhes, mas o que tu vais ter que conviver, dividir tudo até sair de casa; às vezes nem aí surge o ponto final. Rômulo trucidou Remo. Todo mundo sabe o que aconteceu em Hamlet. Na vida real, César Bórgia foi um calo na vida de todos os seus irmãos, seu coração era um liquidificador: odiava, amava, odiava, amava. Dos podres deles, a gente sabe quase todos, e dos que não sabe desconfia. Acho que o problema é esse. Dá medo viver com alguém que te conhece tanto e que, no fim das contas, te tolera muito pouco. Não são só casamentos que não dão certo. A convivência entre irmãos pode não dar certo.Esse texto está começando a não dar certo. Minha cabeça está cheia desse volume de tevê que a minha irmã está assistindo.

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She’s lost control

Hoje eu acessei meu e-mail sete vezes.

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SETE!


Ps.:
A verdade é que não contei direito, podem ter sido oito ou nove vezes.


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