Não fazer registros das paixões pode se converter em economia do trabalho de tocar tudo da janela depois que a coisa desanda. Mas há quem não se importe de colecionar lembranças dos relacionamentos que foram bons e acabaram por mistérios da natureza, fúria do destino ou coisa que valha.
Assim, Carlos armazena com muito mimo e orgulho os resquícios das experiências amorosas passadas. A organização é exemplar. Tem uma caixa etiquetada para cada ex-namorada. Chegou a fazer um inventário em banco de dados para não se perder. A ordem das moças, ou melhor, das caixas é meramente alfabética, segundo ele para facilitar a busca, e os conteúdos são parecidos. Cartas, retratos, notas fiscais, embalagens usadas, registros das contas de telefone, de cartão de crédito, gráficos com horários de entradas e saídas do apartamento, fotografias-flagrantes, fiapos de cabelo, retalhos de roupas, restos de unhas, band-aids, esparadrapos, cacos de vidro e o seu preferido, uma ameaça anônima com letras cortadas de jornal – que, desconfia ele ser da última e melhor de todas.
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o melhor é guardar todos os resquícios numa mesma caixa.. mais tarde descobrir que sempre foi um único e indelével amor.. com rostos e vozes diferentes..
Deve ser interessante fazer algo assim, mas confesso que não tenho tanta paciência.
Legal para fazer levantamento de fontes no futuro.
Adorei o layout!
Beijos