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Sra. Glass

“Os Glasses viviam num edifício de apartamentos que, embora antigo, conservava positivamente uma dignidade de bom tom; estava situado numa das ruas Setenta e tantos da Zona Leste, onde possivelmente dois terços das inquilinas mais maduras possuiam casacos de peles e, ao sair do edifícil numa ensolarada manhã de qualquer dia da semana, era mais certo que meia hora depois poderiam ser vistas entrando ou saindo de um dos elevadores do Lord & Taylor, do Saks ou do Bonwit Teller’s. Nesse ambiente tipicamente manhattanesco, a Sra. Glass (de um ponto de vista inegavelmente libertino) era uma anomalia quase reconfortante. Primeiro, tinha o ar de quem nunca, nunca pusera os pés fora do seu apartamento, mas, se o fizesse alguma vez, poria nos ombros um xale preto e sairia no rumo da O’Connell Street para reclamar o corpo de um dos seus filhos meio-judeus, meio-irlandeses, que, por algum erro administrativo, acabara de ser abatido a tiros pelos Black and Tans

(Salinger, J. D. FRANNY AND ZOOEY. p. 61)

Toda mãe é, foi ou será um pouco como a Sra. Glass. Não pude deixar de me empolgar (é, eu disse empolgar) com essa descrição.

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2 Responses

  1. ishak disse:

    vem logo, vem…

  2. Sassá disse:

    E Belém estará mais florida…

    Podem dizer o que quiserem por aí, mas o que eu te digo é que tu nunca fizeste tanta falta a um coração quanto a este aqui, que te ama de maneira tão simples, mas ao mesmo tempo tão forte.

    Esse coração sabe que tu o amas também. Não porque tu disseste, mas porque provou desse amor.

    Ah. Amo teus textos.

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