A ida
Ok. É um encontro estudantil em Florianópolis, eu provavelmente ainda estou por descobrir o que vim fazer.
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O ônibus tinha uma espécie de regimento. Padadas de uma hora no máximo para comer. Café, almoço e janta. That’s it. Graças a isso chegamos menos quebrados e mais famintos à cidade dos Florianos.
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Como atividades dentro do coletivo tivemos filmes, debates, música e muita brincadeira. Assistimos ao Jardineiro Fiel quando nossas pálpebras pesadas assim permitiam. O debate aconteceu somente uma vez e ficou decidido que iremos romper com o FMI, ainda não sei exatamente quando. Cada um tinha direito de inscrever suas músicas. Depois de quatros inscrições de meia hora para Los Hermanos, uma de Marisa Monte, uma de Raul Seixas, uma de Adriana Calcanhoto, Cazuza e afins, inscrevi repetidas vezes meia hora de silêncio.
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Aqui todos foram solidários comigo, principalmente no mal dizer do fulano x, raiz quadrada de toda equação mal derivada no curso de história da UFPA. Ah, e foram complacentes com as minhas imitações e expansões de carisma. Nem os motoristas escaparam.
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Sobre as brincadeiras, bem, sei que aconteceram no fundo do ônibus com a participação intrusa do odor ameaçador do banheiro e de um violão muito, mas muito chegado em Legião Urbana.
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Ah, tenham certo cuidado com dinâmicas de grupo em que a moral do jogo é beijar uma parte do corpo do canguru.
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Estou com saudades do meu filho. Espero que ele esteja indo bem sem mim.
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Já liguei para casa. Ele está tão bem, mas tão bem, mas taaão bem sem mim que estou ficando meio deprimida.
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Nunca vi um baralho quebrar tanto o galho. Intrometi-me entre alguns profissionais do Pif Paf. Eles me ensinaram a nova técnica. É assim. Prestem atenção. Um embaralha, o outro se ocupa do corte. O fruto desse é o melet (assim?). O melet deve ficar em exibição durante o jogo todo. O jogo sempre começava extremamente tumultuado porque todos queriam blefar ao mesmo tempo. São profissas. Até atingir a complexidade da coisa, eu já tinha batido errado três vezes.
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Faz um frio emocionante. Sinto frio das extremidades (pés, mãos e narizes), especialmente a noite. Fiquei pensando no inferno. O inferno é, certamente, um ônibus lotado e gelado transportando gente chata e que se incomoda com tudo, tipo eu.
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São 22h do último dia. Acabaram de começar a passar um pornô. Todos riem bastante, mas eu estou aqui, um pouco mais contrita com meu frio emocionante e um phone de ouvido que só funciona dum lado. Já toca músicas felizes e inocentes como Franz Ferdinand.
“Now I know, I know, I know that It’s youuu
You’re so lucky, lucky, lucky… tu, tu, tu, tu rururu”
Pensando bem, há um casamento engraçado aqui entre som e imagem porque a Vivi Fernandes parece estar falando “Luuuuckyyyyyy” para mim.
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Vou parar por aqui hoje porque meus companheiros estão bem, mas bem curiosos em saber o que tanto escrevo aqui, quietinha, no escuro.
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É, a minha programada viagem pra Floripa não rolou. Inveja!
Ah, mais tudo vale a pena. Mesmo quando não vale nada.
Lucas,
Deixa de ser invejosa. Se você soubesse o que foram aqueles quatro graus centígrados, certamente ia preferir estar em Belém. E mais: não teve praia, doce ou costela, só vodka barata e um pouco de azia.
curioso por um #2 narrando (e qualificando) a volta.
Ah sim, a volta terá efeitos especiais como a cara do balconista da Gol perguntando “Seu assento é o 23F, vai chorar agora ou depois da decolagem?”.
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