Uma onda espetacular

Quero falar duma onda espetacular. Aquela que vai fazer o mais irresponsável dos sufistas querer traçar um objetivo para si. Ele a vê  se formando no horizonte e então decide se ela vale a pena ou não. O processo: historicidade, acaso e decisão. Enquadro todos nós nessa como sufistas. Nem todos conseguimos tomar nossas decisões, porque não conseguimos prever o que vai nos deixar mais felizes, ou no pior dos casos, menos prejudicados. Falar sobre isso pode soar generalista demais. Nesse caso, meus textos todos o são. Se não fosse a possibilidade de ver padrões nos comportamentos humanos, não haveria necessidade de nenhuma área da ciência voltada ao pensamento e comportamento humano. Então, partindo do pressuposto que maioria de nós quer coisa parecida, queremos surfar (ou sobreviver), e aqui vale a associação entre a sobrevivência e estar na superfície do mar, eu começo a querer entender se sobreviver e ser feliz são artigos complementares. Será que além de levar a vida,  ainda tenho que ser feliz à moda da casa? Essa foi a historicidade.
Como eu cheguei e onde eu estou faz parte do acaso. Quem vai me investigar e chegar à conclusão de que eu sou pouco feliz ou nada feliz? Que noção de felicidade é essa, qual é quantificador? Uma vida bem estruturada? Que estrutura, que organização é essa? A felicidade e os seus indicadores são meio que predeterminados pela maneira como é conduzida a educação sentimental do indivíduo, pode ser inclusive pela TV, pela internet, pelos games e pelos best-sellers bobagem que engolem feito animais famintos na jaula, sem sentir o tempero. A ciência já se tocou disso, assim como o comércio. Ambos trabalham juntos dia e noite, e com muita inteligência, para lançar felicidade parcelada no cartão em 10 vezes sem juros ou à vista com desconto. O detalhe do sem juros e com desconto é uma farsa, mas também é assunto para outro post.  A publicidade, que faz o papel de canto da sereia, nem usa mais as chamadas “está triste, sua vida precisa de algo novo?” porque é tão surrado quanto os jingles de campanhas para produtos de limpeza com todo mundo sambando na tela. A TV me dá muita dor de cabeça e eu tenho duas em casa, sendo que nenhuma no meu quarto porque em algum lugar da casa eu tenho  que ter paz.

Os antropólogos estão tentando sinalizar como as sociedades menos perturbadas pelo comércio estão surfando e se tem seus membros “felizes”  a maior parte do ano. Curiosamente, para essas sociedades, o resultado da pesquisa são faz diferença nenhuma. A sensação de felicidade que tem como recheio uma sensação de prazer associada a algo externo ao ser humano, bem típico das sociedades industriais, traz danos à inteligência humana e nos distraem do que é real e do que é imaginário. Vou citar um exemplo prático: o casamento. Algumas mulheres querem casar feito princesas. Porque? Desde os quatro anos que ler e gostar da história da gata borralheira não é nada mal, o destino encaminharia qualquer uma para lá se for boa moça. A lenda se modernizou porque hoje ser uma boa moça inclui os fenômenos estudo e trabalho.  As adolescentes de 30 anos pra cá tomaram contato com vários remakes da lenda, alguns descarados outros mais disfarçados, enfim, não importa, a idéia se fortaleceu. Então, ser independente, estudiosa, bonita, roupas caprichadas, não tem quem resista. TODAS as comédias românticas seguem mais ou menos essa filosofia, tem um camarada que paquera todas até que ele topa com uma com quem ele vai querer algo sério, para sempre, pra qualquer coisa. São filmes feitos para mulheres, por mulheres, é produto, é bem feito. É fantasioso, distorce o pensamento de como funciona uma relação e ainda ajuda as mulheres a agir feito idiotas por vezes.

Li em algum lugar que as pessoas que tem Apple tem sentimentos de felicidade associada aos seus brinquedos. Igual aos índios do século XVI que se viram felizes no espelho? Não vai durar até o lançamento do próximo Ipad, desculpe.

Independece today

Pensando bem, independece day é um filme completamente atual. Ele demonstra bem aquela libido especial dos americanos em querer arrebentar a cara de um inimigo seboso retirado da obscuridade do espaço sideral ou mesmo do oriente médio, juntando forças, seja com a França e Inglaterra, suas parceiras usuais de menage à troi de guerra. O filme acaba sendo um emaranhado de teorias tortas de combate e um arremedo de luta pela sobrevivência. Mesmo assim, o sucesso de um filme assim feito é porque ao mesmo tempo que neguinho tem medo por acreditar que qualquer dia desses o planeta vai virar uma poça de lama, ainda quer se enganar um pouquinho achando que tudo vai dar certo no fim, com apenas uma média de 8 figurantes sacrificados. Então, assistindo a parte em que o mundo todo se junta para lutar freneticamente contra uma misteriosa nave mãe que está prestes a continuar sentando a pua nos humanos, eu só conseguia pensar: se esse filme virasse verdade e essa situação acontecesse hoje, e a nave mãe quisesse petróleo em troca de todo o poderio militar da sua gente feia e disforme, quem ficariam bem na fita, hein?

 

Quais os nossos reforços, capitão? Fresh Prince pela malandragem e O mosca pela... bizarrice.

Carnaval 2011, passei longe…

“De que estranho planeta eu venho para ser tão triste e melancólico? Por que me sinto tão inadaptado a toda essa alegria insana? Perdoem-me sinceramente por não acompanhar toda essa euforia e alegria de viver. Perdoem-me por ser ruim da cabeça e doente do pé. Perdoem-me por ouvir Lou Reed. Devo ter perdido alguma coisa no caminho. Do Carnaval, só me identifico com as cinzas. E para não dizerem que não gosto de samba, cito os versos imortais de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito e Alcides Caminha em A Flor e o Espinho: “Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor”. ” Tony Belloto, para Veja, em 10/03/2011.

Taí. Não sabia que ele era bom, vou começar a acompanhar a coluna.

Interpol

Interpol é tão bom que, mesmo nos meus dias mais felizes, se tocar Interpol, logo dá vontade de por um preto/cinza, torcer pra chover e começar cantar no tom da voz podre de Paul Banks. Continue lendo

The new good looking

Na zoologia, encontramos as espécies, dividias em sub-especies, e dentro de um quadro mais geral chamado família, e depois classe, assim por diante até os reinos. Para a natureza em si não se distingue exatamente a importância de cada um, ela ressalta que o conjunto sim traz o equilíbrio do todo. A cada um é atribuído um papel e a cada espécie subtraída é dirigido um olhar preocupado com o bioma que o cerca, pois certamente aquele que se foi fará falta.  Com os seres humanos, caso especial, é o inverso. Continue lendo

Etanol

Onde é a fila do Etanol? Completa com Etanol, por favor. O quê mesmo? E-ta-nol. Dependendo do tom, trata-se dum esnobismo que resolvi admirar, como se soubessem com exclusividade que etanol e álcool é a mesma parada, mas o frentista não.

 

 

Crianças

- Tu não viu no avatar aquela atriz do Alien,  a Simone Weaver?

Bodas de Chumbo

É porque ninguém comemora, ou se comemora o faz em segredo, mas ninguém que eu conheço reclama do final do Regime Militar. Tem gente que reclama do final da Era Vargas, sente falta e tudo o mais, mas do final da Era Médici & Cia., …. acho que ninguém se atreve, ainda tá muito recente, sei lá.  Só que a saudade existe sim, no fundo, é algo que ninguém põe pra fora, desde que a democracia virou o primeiro mandamento da pós-modernidade: I – Independente da legenda, serás democrata com o próximo assim como gostaria que fossem contigo. Continue lendo

De par com o Danúbio

“A sua grande importância estratégica se deve a que, ao formar a maior parte da Europa Central, sempre serviu de rota natural entre a Europa do Norte, a Europa de Leste, a Europa Ocidental e a Europa Mediterrânica ou do sul. Mas, pelo mesmo facto de estar no centro, o Danúbio tornou-se uma terra de invasões, de coexistência (nem sempre pacífica) de numerosos grupos humanos cultural e etnicamente distintos, de sobreposição ou justaposição de sistemas políticos diferentes, e do desenvolvimento de diversos modos de vida.”¹

Se a vida é como um rio,  eu sou assim, o Danúbio.

 

¹Fonte: Wikipédia.

O processo civilizador

Você incomoda, tá? A ponto de ninguém suportar a sua presença misteriosa. É mistério porque ninguém entende como você consegue ser assim, tão diferente. E você é mau, mau porque escolheu permanecer assim. Te avisaram,  tentaram te conquistar para o nosso lado, mas você não foi inteligente o suficiente para aceitar nosso convite, nosso convívio. Mesmo com todo o nosso esforço. Então você ficou feio, porque além de todos te odiarem, ninguém mais atura a sua imagem. E não adianta agora vir com amizade, presentinho, sorriso e tal. Ah, não era sorriso? Era o quê, então? Sarcasmo? Insolência? Você é mau, olha, muito mau, cara. E para de fazer essa dança da chuva que hoje você não come mais ninguém.